terça-feira, 25 de outubro de 2011 9:58:00
Em reportagem de capa da edição publicada no último domingo, 23 de outubro, o jornal O Povo propôs a discussão sobre o uso da tecnologia na educação. A jornalista Ana Mary C. Cavalcante conversou com profissionais de escolas públicas e particulares que estão fazendo uso de aparelhos tecnológicos em sala de aula, como laptops, tablets e lousas digitais.
O Professor Herbert Lima, do Instituto Universidade Virtual, também foi ouvido pela reportagem e sua fala integra a matéria.
Veja o texto a seguir:
Em busca do verdadeiro passo à frente
A tecnologia aumenta o tempo, multiplica o conteúdo, facilita o trabalho. Mas as pessoas ainda vão se formar seres humanos no diálogo e no aprendizado mútuo, concordam educadores e especialistas
A escola não pode se manter distante do mundo (virtual) lá fora, concordam diretores ou gestores dos colégios visitados pelo O POVO. O argumento é o primeiro da lista de porquês que respondem à necessidade de conectar o aprendizado a novas tecnologias. “Em casa, o aluno tem televisão, computador, tablet...”, espelha David Rocha, diretor do Christus, frente ao tradicional método pedagógico lousa-e-pincel. “Vamos ensinar de uma maneira que eles já estão acostumados a receber informação”, associa Celso Medeiros, coordenador de Informática da escola.
Mas, entre ligar o computador (ou o tablet) e aprender, há uma distância tão grande quanto a resistência a mudanças na metodologia de ensino. Na avaliação do professor Francisco Herbert Lima Vasconcelos, doutorando em Teleinformática e integrante do Instituto UFC Virtual, “a aquisição de equipamentos como computadores, softwares, acesso a Internet em sala de aula dá a falsa ideia de que essa é a chegada das novas tecnologias no contexto escolar”.
Falta o passo adiante, maior. “Uma mudança de postura e do método de ensino dos professores”, aponta Herbert Lima. Dessa forma, os recursos digitais deixarão de ser propaganda e terão uso efetivo, ampliando as possibilidades de um ensino qualificado. “É preciso investir na metodologia de ensino. Isso passa pela qualificação dos professores e mudanças de mentalidade cultural dos gestores da escola”, indica o pesquisador. O dever de casa dos que regem a educação é fazer a tecnologia funcionar “com profissionais treinados e conteúdo”, exercita Davi Lima, coordenador do Departamento de Informática da Secretaria Municipal de Educação.
Davi comemora a inclusão digital dos 444 alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (Emeif) Monteiro Lobato, por meio do programa Um Computador por Aluno, “do Infantil 4 até a 5ª série”. Os professores tentam acompanhar essa turminha. “Eles estão adotando (o computador) na sala de aula, mas também estão conhecendo agora. Nossos professores são alunos virtuais da UFC”, diz a diretora da Monteiro Lobato, Carolina Oliveira Muniz.
E todos têm uma dúvida em comum: se já é difícil controlar o uso do celular na sala de aula, como manter os alunos conectados à matéria e não dispersos na internet e sua multiplicidade de atrativos? “Ao mesmo tempo em que forneço uma série de possibilidades para o aluno, isso tem que ser muito bem gerenciado”, reconhece o gestor de Tecnologia do Ari de Sá, Andrey Lima. “Se mudo minha abordagem e tento solicitar uma reflexão sobre o tema, faço perguntas, estou minimizando esse lado negativo da Internet”, orienta Herbert Lima.
E a palavra reflexão “abre” outro “link”: gerar conhecimento. “Converter essa quantidade exacerbada de informações em conhecimento efetivo”, indica Herbert Lima, passa pelo professor-mediador. É ele quem deve continuar filtrando e validando informações. “A tecnologia vem dizer: o papel do professor é fundamental. O fato de ter Internet, vídeo não me garante o aprendizado ou que o aluno tenha um ganho na capacidade de informação... Tecnologia não é solução para problemas escolares ou de aprendizagem e nem vai garantir a qualidade da educação. É um recurso, como outros que chegaram: o livro didático, os jogos educacionais”, ratifica Lima.
A tecnologia aumenta o tempo, multiplica o conteúdo, facilita o trabalho. Mas as pessoas ainda vão se formar seres humanos no diálogo e no aprendizado mútuo. Que cidadãos o mundo real terá em breve? E que futuro (re)construir, com tanto conhecimento? Essas são perguntas que ainda esperam uma resposta definitiva da educação. E que vão se repetir, indefinidamente, feito os porquês das crianças. (Ana Mary C. Cavalcante)
Números
23
escolas públicas de Hortolândia (interior de São Paulo) participaram, durante 18 meses, do projeto Aula Interativa, da Dell (que somou tecnologia na sala de aula, capacitação dos professores e apoio da comunidade)
6 mil
alunos e 100 professores de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental e do 1º e 2º anos do Ensino Médio integraram o projeto
20%
a mais de desempenho foi verificado, na disciplina de matemática, em uma avaliação feita pela Unesco (em junho deste ano). O percentual significa sete vezes mais que o grupo que não recebeu o projeto
44%
dos alunos responderam que as aulas com o suporte da tecnologia ficam mais interessantes, segundo o estudo da Unesco
54%
dos estudantes afirmaram que aulas do tipo incentivaram o interesse pelo estudo.
Fonte: Jornal O POVO Online
A escola não pode se manter distante do mundo (virtual) lá fora, concordam diretores ou gestores dos colégios visitados pelo O POVO. O argumento é o primeiro da lista de porquês que respondem à necessidade de conectar o aprendizado a novas tecnologias. “Em casa, o aluno tem televisão, computador, tablet...”, espelha David Rocha, diretor do Christus, frente ao tradicional método pedagógico lousa-e-pincel. “Vamos ensinar de uma maneira que eles já estão acostumados a receber informação”, associa Celso Medeiros, coordenador de Informática da escola.
Mas, entre ligar o computador (ou o tablet) e aprender, há uma distância tão grande quanto a resistência a mudanças na metodologia de ensino. Na avaliação do professor Francisco Herbert Lima Vasconcelos, doutorando em Teleinformática e integrante do Instituto UFC Virtual, “a aquisição de equipamentos como computadores, softwares, acesso a Internet em sala de aula dá a falsa ideia de que essa é a chegada das novas tecnologias no contexto escolar”.
Falta o passo adiante, maior. “Uma mudança de postura e do método de ensino dos professores”, aponta Herbert Lima. Dessa forma, os recursos digitais deixarão de ser propaganda e terão uso efetivo, ampliando as possibilidades de um ensino qualificado. “É preciso investir na metodologia de ensino. Isso passa pela qualificação dos professores e mudanças de mentalidade cultural dos gestores da escola”, indica o pesquisador. O dever de casa dos que regem a educação é fazer a tecnologia funcionar “com profissionais treinados e conteúdo”, exercita Davi Lima, coordenador do Departamento de Informática da Secretaria Municipal de Educação.
Davi comemora a inclusão digital dos 444 alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (Emeif) Monteiro Lobato, por meio do programa Um Computador por Aluno, “do Infantil 4 até a 5ª série”. Os professores tentam acompanhar essa turminha. “Eles estão adotando (o computador) na sala de aula, mas também estão conhecendo agora. Nossos professores são alunos virtuais da UFC”, diz a diretora da Monteiro Lobato, Carolina Oliveira Muniz.
E todos têm uma dúvida em comum: se já é difícil controlar o uso do celular na sala de aula, como manter os alunos conectados à matéria e não dispersos na internet e sua multiplicidade de atrativos? “Ao mesmo tempo em que forneço uma série de possibilidades para o aluno, isso tem que ser muito bem gerenciado”, reconhece o gestor de Tecnologia do Ari de Sá, Andrey Lima. “Se mudo minha abordagem e tento solicitar uma reflexão sobre o tema, faço perguntas, estou minimizando esse lado negativo da Internet”, orienta Herbert Lima.
E a palavra reflexão “abre” outro “link”: gerar conhecimento. “Converter essa quantidade exacerbada de informações em conhecimento efetivo”, indica Herbert Lima, passa pelo professor-mediador. É ele quem deve continuar filtrando e validando informações. “A tecnologia vem dizer: o papel do professor é fundamental. O fato de ter Internet, vídeo não me garante o aprendizado ou que o aluno tenha um ganho na capacidade de informação... Tecnologia não é solução para problemas escolares ou de aprendizagem e nem vai garantir a qualidade da educação. É um recurso, como outros que chegaram: o livro didático, os jogos educacionais”, ratifica Lima.
A tecnologia aumenta o tempo, multiplica o conteúdo, facilita o trabalho. Mas as pessoas ainda vão se formar seres humanos no diálogo e no aprendizado mútuo. Que cidadãos o mundo real terá em breve? E que futuro (re)construir, com tanto conhecimento? Essas são perguntas que ainda esperam uma resposta definitiva da educação. E que vão se repetir, indefinidamente, feito os porquês das crianças. (Ana Mary C. Cavalcante)
Números
23
escolas públicas de Hortolândia (interior de São Paulo) participaram, durante 18 meses, do projeto Aula Interativa, da Dell (que somou tecnologia na sala de aula, capacitação dos professores e apoio da comunidade)
6 mil
alunos e 100 professores de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental e do 1º e 2º anos do Ensino Médio integraram o projeto
20%
a mais de desempenho foi verificado, na disciplina de matemática, em uma avaliação feita pela Unesco (em junho deste ano). O percentual significa sete vezes mais que o grupo que não recebeu o projeto
44%
dos alunos responderam que as aulas com o suporte da tecnologia ficam mais interessantes, segundo o estudo da Unesco
54%
dos estudantes afirmaram que aulas do tipo incentivaram o interesse pelo estudo.
Fonte: Jornal O POVO Online
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6135939518754967087
São inúmeras as vantagens da tecnologia na educação , elas incentivam interesse dos alunos, auxilia o ensino e a produção de conhecimento não somente em sala de aula e também aumenta o potencial comunicativo dos alunos. As grandes
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